Gastos nas Alturas

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Semana passada a notícia em destaque foi o valor dos gastos feitos com o cartão corporativo pelo governo federal. Tenho que dizer que realmente é desanimador ouvir que o Governo através de 39 cartões de crédito corporativos, distribuídos de acordo com a vontade do presidente, já tenham alcançado um gasto de 29 milhões de reais!! É uma quantia incrivelmente absurda, levando em consideração… bom, levando em consideração qualquer coisa que uma pessoa possa usar para comparar.

Mas aí você vai dizer: isso não é exclusividade desse governo!!! É, eu sei disso. De qualquer forma o gasto neste momento do governo Bolsonaro, segundo a mídia, já superou o da Dilma e do Michel Temer juntos. Mas independente de quem está no governo esses gastos me parecem mais do que exagerados em um país como o nosso que tem uma população carente enorme. Mas a grande questão aqui é que o brasileiro precisa parar de comparar o ruim atual com o ruim anterior em busca de validar o menos pior. O governo anterior também gastou um absurdo com cartão corporativo, e apesar de ter sido menos do que o atual, da mesma forma me parece um absurdo. O que me chama mais a atenção, é o fato do governo manter em sigilo os gastos com esses cartões corporativos. Onde fica a transparência? Como, aqueles que tem a função de fiscalizar o executivo, farão o seu trabalho, se o executivo esconde as informações. Vale lembrar que Bolsonaro já defendeu a transparência desse tipo de gasto no governo Lula (deixando claro aqui que não estou defendendo o Lula, até porque esse um em que não voto nunca mais porque não existe menos pior).

Nesse governo, tudo o que se fala de transparência e combate a corrupção, só pode ser da boca para fora. Principalmente depois que o Bolsonaro virou a marionete do “centrão”. Mas voltando ao assunto dos gastos com cartões, que é o foco desse texto, vi que pelo menos dois parlamentares já noticiaram solicitações ao TCU de informações sobre esses gastos, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) e a deputada Joyce Hasselman (PSL). A solicitação do senador, feita em 2020, até agora não foi atendida. Talvez porque o TCU esteja muito mais empenhado em atacar o pré-candidato do Podemos a presidência, o ex juiz Sérgio Moro. Aliás o empenho das autoridades em investigar pré-candidatos está em alta. Já foram atrás do Ciro Gomes (presidência), do Márcio França (governo de SP).

Difícil se manter no mesmo problema quando o assunto é esse governo, que está cheio deles. Mas para finalizar… assim como o presidente, antes de ocupar o cargo manifestou a vontade de acabar com a possibilidade de reeleição para presidente e não o fez, ele também voltou atrás na ideia de que os gastos com cartão corporativo devem ser plenamente divulgados para todo e qualquer cidadão que queira fiscalizar, e quer deixar tudo bem escondidinho. Na mesma linha do orçamento secreto, mas isso é outro tema.

Atualização: A mídia noticiou que o deputado Elias Vaz (PSB) acionou o TCU cobrando agilidade no processo de investigação destes gastos. O processo será relatado pelo Antônio Anastasia, recentemente indicado ao TCU, pelo presdente Bolsonaro.

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